Portefólio Psicologia B
Joana Machado
ESCCB
CÉREBRO
O papel das áreas pré-frontais
O córtex pré-frontal (ou áreas pré-frontais) é responsável pelas principais funções intelectuais superiores que distinguem a espécie humana de todas as outras. As áreas pré-frontais estão intimamente relacionadas com a memória, permitindo-nos recordar o passado, planear o futuro, resolver problemas, antecipar acontecimentos, refletir, tomar decisões, criar o próprio mundo. Estas áreas são o grande organizador do pensamento reflexivo e da imaginação. Também permitem tomar consciência destas funções.
Especialização e integração sistémica
Apesar de haver zonas cerebrais especializadas em determinadas funções, esta especialização não nos pode conduzir a uma perspetiva que defende uma localização de forma compartimentada.
A evolução dos conhecimentos conduziu à identificação de funções desconhecidas, bem como à redistribuição das que já estavam identificadas. Modificou-se a ideia de funcionamento: o cérebro funciona como um todo, como uma rede funcional.
Constata-se que uma função perdida devido a uma lesão pode ser recuperada por uma área vizinha da zona lesionada. É o que se designa por função vicariante ou de suplência do cérebro.
A plasticidade, a redundância das funções cerebrais, explicam o facto de outras regiões do cérebro poderem substituir as funções afetadas pelas lesões cerebrais resultante de um coma, por exemplo.
O cérebro funciona de uma forma sistémica: é um conjunto complexo de elementos em que as componentes especializadas que o constituem são interdependentes, funcionam de forma integrada. O cérebro é um sistema unitário que trabalha como um todo de forma interativa com uma dinâmica própria.
Auto-organização permanente
Corticalização: construção do córtex cerebral. Dá-se através da divisão das células.
Ao nascer, o bebé tem todas as áreas corticais formadas, mas o desenvolvimento cerebral continua a fazer-se de forma acelerada nos primeiros meses de vida. Nos primeiros 6 meses de vida produzem-se mais modificações na estrutura do córtex do que em qualquer outro período do desenvolvimento.
Tanto o meio intrauterino, como o meio exterior são fundamentais para o desenvolvimento saudável do cérebro. Depois do nascimento, os estímulos que são assimilados conduzem a processos de adaptação que se refletem na formação do cérebro. O efeito dos genes e dos estímulos do meio ambiente atua de forma concertada no sentido do desenvolvimento cerebral. Este é um processo auto-organizado.
Estabilidade e mudança nos circuitos sinápticos
A morte de neurónios e a eliminação de muitas sinapses é uma das formas de seleção das redes neuronais. É um processo de seleção em que se anulam as conexões que não são necessárias e se retêm as eficazes: umas são eliminadas, outras consolidam-se. As funções do organismo, os comportamentos, assentam nestas redes neuronais, daí a sua importância.
Para além do fator aleatório na formação das redes neuronais, estas dependem de fatores epigenéticos que decorrem da relação com o meio e que refletem a história pessoal de cada indivíduo. Esta história pessoal, que envolve elementos afetivos, sociais e culturais, define o carácter único da estrutura das redes neuronais, isto é, dos circuitos sinápticos.
Há um processo de moldagem que ocorre ao longo da vida, sempre que os neurónios se modificam quanto à forma e dimensão em resposta à estimulação ambiental.
3. O cérebro e a capacidade de adaptação e autonomia do ser humano
Lentificação do desenvolvimento cerebral
No ser humano, o processo de desenvolvimento do cérebro desenrola-se de forma muito mais lenta que noutras espécies. É precisamente esta lentidão que lhe vai trazer vantagem ao possibilitar a influência do meio e, portanto, uma maior capacidade de aprendizagem.
É precisamente o carácter embrionário do cérebro, o seu inacabamento, que permite a adaptação biológica do indivíduo, mesmo no estado adulto.
Individuação cerebral
O cérebro é um órgão que apresenta múltiplas configurações, não havendo nenhum cérebro igual a outro, nem mesmo os dos gémeos homozigóticos.
As pessoas distinguem-se pela estrutura das suas aptidões mentais, porque os seus cérebros têm formas diversas:
- diferente expressão dos genes que conduzem a diferentes desenvolvimentos dos tecidos nervosos
- são influenciados pelas experiências dos indivíduos (intrauterinas e as que decorrem ao longo da vida) --- Processo de Individuação - Distinção que ultrapassa as definições genéticas
O principal motor da individuação é a plasticidade do cérebro, a sua capacidade para se modificar ao longo da vida por efeito das experiências vividas pelo sujeito.
Nos seres humanos, as instruções genéticas deixam espaço à variação individual. O desenvolvimento individual é um processo histórico, na medida em que a experiência do sujeito influencia, modifica, várias estruturas físicas.
Plasticidade e aprendizagem
O cérebro é muito maleável, modificando-se sob o efeito da experiência, das percepções, das ações, dos comportamentos. Isto significa que a relação que o ser humano estabelece com o meio produz modificações no sentido de uma adaptação cada vez mais eficaz, ocorrendo, principalmente, nos primeiros meses de vida, quando o córtex está a organizar-se e em crescimento acelerado.
A plasticidade cerebral é a capacidade do cérebro em se remodelar em função das experiências do sujeito, em reformular as suas conexões em função das necessidades e dos fatores do meio ambiente. As redes neuronais modificam-se em função das experiências vividas. É a plasticidade fisiológica que permite a aprendizagem ao longo de toda a vida.
Esquema-Síntese
