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Esta estrutura maravilhosa é a fonte de todo o comportamento humano, controlando ao mesmo tempo uma miríade de funções incrivelmente complexas.

Wolfe, Patricia


1. Elementos estruturais e funcionais do sistema nervoso
O sistema nervoso é constituído por um conjunto de estruturas que, integradas, são responsáveis pelos nossos comportamentos.
Grande parte dos processos inicia-se nos órgãos dos sentidos que captam informações do meio. Estas informações são interpretadas e tratadas pelo sistema nervoso que coordena, processa e determina as respostas aos estímulos que receberam. São sobretudo os músculos e as glândulas que efetuam as respostas:

  • mecanismos de receção ou recetores: são os órgãos que recebem os estímulos do meio externo ou interno. São, entre outros, os órgãos dos sentidos (visão, tato...).
  • mecanismos de coordenação ou de processamento: são o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. Formados por um conjunto complexo de estruturas que coordenam a informação recebida pelos recetores e determinam as respostas concretizadas pelos efetores.
  • mecanismos de reação ou efetores: são sobretudo os músculos e as glândulas, que são responsáveis por efetuarem as respostas, isto é, concretizam a reação aos estímulos.

CÉREBRO

Neurónio – elemento estrutural básico do sistema nervoso



O sistema nervoso é constituído por células, cujas principais são:



  • células gliais: facultam os nutrientes aos neurónios (oxigénio, glicose). Se lesionadas, podem reproduzir-se. Controlam o desenvolvimento dos neurónios ao longo da vida. Influenciam de forma decisiva a comunicação cerebral, o funcionamento das sinapses e outras funções que afetam o funcionamento do sistema nervoso. Têm um papel fundamental no desenvolvimento do cérebro no período fetal, bem como a maturação dos neurónios. Determinam também quais os neurónios que estão aptos a funcionar corretamente e asseguram a manutenção do ambiente químico que rodeia os neurónios.
  • neurónios: são células especializadas responsáveis por grande parte das funções do sistema nervoso; não mantêm contactos físicos entre si; a transmissão da informação entre as células nervosas procede-se de um modo muito específico; não se reproduzem.

Constituição do neurónio

 

Nos neurónios podemos distinguir três componentes distintas:



  • corpo celular: contém o núcleo, que é o armazém de energia da célula. Fabrica proteínas sob o controlo do ADN presente no núcleo celular. Dirige e fabrica as substâncias que o neurónio usa para se sustentar.
  • dendrites: graças às dendrites, o neurónio apresenta uma maior superfície de reação e emissão de mensagens. São a parte recetora do neurónio e a sua função é recolher e orientar a informação nervosa para o corpo celular.
  • axónio: transmite as mensagens de um neurónio a outro ( ao corpo celular ou às dendrites) ou entre um neurónio e uma célula efetora muscular ou glandular. Há axónios que estão envolvidos por uma bainha de mielina (substância branca de matéria gorda, que permite que os impulsos nervosos viagem mais rapidamente), outros são só constituídos por substância cinzenta. O axónio e certas dendrites de um neurónio constituem uma fibra nervosa. Ao conjunto de fibras nervosas envolvidas por uma membrana dá-se o nome de nervos. O tamanho dos axónios é muito variável, assim como a velocidade da transmissão de informação.

As três estruturas do neurónio estão interligadas. A interatividade é o princípio essencial subjacente à forma e à autonomia celular dos neurónios.

Tipos de neurónios



Geralmente distinguem-se três tipos de neurónios, quanto às suas funções:

  • neurónios aferentes ou sensoriais: recolhem e conduzem as mensagens da periferia para os centros nervosos (espinal medula e encéfalo).
  • neurónios eferentes ou motores: transmitem as mensagens dos centros nervosos para os órgãos efetores, isto é, órgãos responsáveis pelas respostas, que sãos os músculos e as glândulas. A sua função é, pe, que um músculo se contraia ou que uma glândula modifique a sua atividade (resposta a um estímulo). Sem eles não realizaríamos as respostas enviadas pelo cérebro.
  • neurónios de conexão ou interneurónios: interpretam as informações e elaboram as respostas. Realizam a maior parte das tarefas do sistema nervoso. Estabelecem a ligação entre a receção sensorial e a resposta motora. São os neurónios que existem em maior quantidade no sistema nervoso.

Comunicação nervosa



Para retratarmos uma cena mentalmente, milhões de neurónios, organizados em redes, trocam informações sobre a forma de descargas elétricas e químicas que atravessam biliões de pontos de comunicação. A cada elemento da cena corresponde uma combinação de descargas elétricas e químicas específica.

O papel do sistema nervoso consiste em transmitir sinais, mensagens de um grupo de neurónios para outro: os neurónios são células especializadas em receber e em transmitir sinais às células vizinhas. A informação que circula ao longo dos neurónios designa-se por influxo nervoso.
Processo que ocorre quando há uma informação a ser transmitida:



  1. Entrada: as dendrites captam o estímulo, os sinais que podem ter origem nos neurónios vizinhos
  2. Os sinais são integrados
  3. Gera-se o influxo nervoso / impulso nervoso
  4. O impulso nervoso é transmitido ao axónio e conduzido às ramificações axónicas
  5. Saída: as ramificações dos axónios aproximam-se das dendrites do neurónio vizinho, transmitindo o sinal através da sinapse.

Sinapse e comunicação nervosa


Não existe uma relação física entre os neurónios: é através da sinapse que as mensagens são transmitidas:


- sinapse: é uma junção funcional em que ocorre a transmissão de informação entre dois neurónios ou entre um neurónio e uma célula (recetor sensorial, célula muscular...). Na sinapse estabelece-se uma comunicação entre um prolongamento do axónio do neurónio, que se designa por “pré-sináptico” ou neurónio emissor, com a membrana ou a dendrite de outro neurónio que se designa por “pós-sináptico” ou neurónio recetor. As membranas dos dois neurónios estão separadas por uma fenda, que se designa por fenda sináptica. A sinapse põe em comunicação três componentes fundamentais:



  • botão pré-sináptico: a terminação axónica do neurónio emissor
  • membrana pós-sináptica: localizada na dendrite ou corpo celular do neurónio recetor
  • fenda sináptica: espaço cheio de líquido compreendido entre os neurónios.

A energia nervosa é de dois tipos: elétrica e química. Ao nível das dendrites a energia é elétrica. Ao nível da sinapse, o impulso nervoso transforma-se em energia química por efeito das moléculas que se designam por neurotransmissores. As mensagens nervosas ocorrem, portanto, por processos eletroquímicos.

As vesículas sinápticas contêm substâncias químicas que, sob o efeito da atividade elétrica do axónio, se libertam na fenda sináptica: são os neurotransmissores – atravessam a fenda sináptica e são captados pelos recetores situados na superfície do neurónio pós sináptico.

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