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CULTURA

3. Riqueza da diversidade humana
Todos partilhamos das características comuns que nos tornam distintos de qualquer outra espécie. Mas, ao mesmo tempo, todos somos diferentes.

 

 

Diversidade biológica


Os seres humanos partilham características humanas que nos tornam distintos de qualquer outra espécie, mas, ao mesmo tempo, somos todos diferentes (diversidade física, cultural, psicológica). Os seres humanos manifestam uma diversidade biológica: a sua pele apresenta diferentes colorações. Os traços fisionómicos variam também: o desenho dos olhos, a configuração do rosto, o desenho do nariz, a espessura dos lábios, a cor dominante dos olhos, etc.
A descodificação do genoma humano mostrou que a constituição genética dos seres humanos é muito semelhante: cerca de 6 mil milhões de seres humanos que partilham entre si 99,9% de código genético, o que remete 0,1 % para as diferenças individuais (é possível encontrar maiores diferenças genéticas entre duas pessoas que vivem no mesmo país do que entre um africano e um europeu do Norte). Nos seres humanos, o programa genético não define de forma determinista o indivíduo. É, antes, um conjunto de instruções que favorecem a variação individual.
Enquanto pertencentes à espécie humana, todos temos um cérebro, que apresenta as características e funcionalidades comuns. Contudo, esta estrutura do sistema nervoso central não é igual em todos os indivíduos.
Se a hereditariedade específica assegura um conjunto de características comuns que nos tornam humanos, a hereditariedade individual assegura-nos que somos únicos. Mesmo os gémeos homozigóticos apresentam diferenças. O desenvolvimento, desde o embrião, envolve uma progressiva alteração. Nos seres humanos, o programa genético não define de forma determinista o indivíduo. É, antes, um conjunto de instruções que favorecem a variação individual. O processo de desenvolvimento que ocorre em contexto social vai aprofundar as diferenças que a hereditariedade já se encarregava de assegurar.

 

 

Diversidade cultural


Aquilo que trazemos escrito no nosso código genético não é suficiente para crescermos como humanos.
Sem a cultura, sem as possibilidades de desenvolvimento que nos proporciona crescermos num contexto cultural particular, seríamos seres incompletos, inacabados. Nascemos, crescemos e vivemos em contextos socioculturais muito variados. É nestes que se desenvolve, em interações uns com os outros e com os diferentes ambientes e situações de aprender, a capacidade de criar e de transformar subjacente ao processo de adaptação.
Somos, mesmo biologicamente, seres sociais e culturais. O processo de integração numa sociedade e cultura particular (processo de socialização), indispensável para todos nós, faz com que a diversidade cultural, dos contextos socioculturais onde nos inscrevemos, se traduza em formas distintas de estar, de ser e de nos comportarmos.
Todos somos seres diferentes e semelhantes. Não só diferem os nossos corpos como o que neles se inscreve à medida que crescemos num determinados lugar, numa determinada comunidade com as suas culturas específicas. Mas também nos assemelhamos: todos os povos, todas as comunidades, têm cultura. A cultura tem um impacto muito poderoso naquilo que somos.

 

 

Diversidade individual


A cultura, aliás como acontece relativamente às nossas características físicas e cerebrais, tem um papel importante, mas não determina aquilo que somos. Somos produtos da nossa cultura, mas também somos produtores de cultura. Agimos sobre o nosso corpo e com ele nos diversos contextos em que existimos. E é aí que se compõe a nossa singularidade, é aí que se reflete a diversidade de cada um.
Neste lugar de encontro entre cultura e biologia, o ser humano, autónomo e capaz de auto-organização, inscreve-se enquanto singular. Embora os códigos genéticos sejam parte constitutiva de si, cada um ordena a sua experiência e organiza os significados daquilo que lhe acontece, tornando-se um ser diferente e particular. Construir a sua história pessoal implica encontrar significado para o que se vai sucedendo, para a maneira como acontece, para as suas ações e as dos outros, para aquilo que pensa e sente relativamente a tudo isto. Ao fazê-lo, cada pessoa torna parte de si, utiliza e recria não só o seu corpo e o seu cérebro, mas também o seu património cultural e as suas aprendizagens e vivências sociais.
É necessário estarmos abertos a ver e a escutar as múltiplas diferenças dos outros. É necessário o esforço de conhecer e compreender não só a nossa, mas também as suas perspetivas. E é necessário que sejamos capazes de apreciar a diversidade e de criticamente refletir e agir de forma que aos outros não seja retirado o espaço de serem e de resistirem que define as suas possibilidades de autonomia e liberdade.



Vantagens da diversidade humana


Há muitos exemplos de desrespeito pela diversidade, mas a psicologia participou na construção social das categorias da diferença, como o género, a idade, a etnia, a classe social, a orientação social, etc, muitas vezes racionalizando e legitimando as conceções dominantes e dominadoras de determinados grupos com mais poder e visibilidade.
Mulheres, crianças, imigrantes, homossexuais, minorias étnicas, pessoas com doença mental, pobres, pessoas com deficiência, reclusos, são alguns dos exemplos de grupos que foram sendo alvo, ao longo da História da psicologia, deste tipo de desrespeito pela diferença.
A pouco e pouco, a preocupação com o valor da diferença no estudo e na prática da psicologia tem vindo a ganhar terreno.
A especificidade de cada grupo ou pessoa deve ser valorizada.
Para desenvolvermos as nossas capacidades e potencialidades enquanto seres humanos autónomos e livres, necessitamos de crescer e de viver em meios que nos permitam exercer e praticar as capacidades de autonomia e liberdade; precisamos de nos sentir apoiados e desafiados, compreendidos e respeitados, estimulados nas nossas capacidades de aprender e de transformar, quer a nós mesmos, quer às relações e aos contextos onde vivemos.
É, por isso, importante que todos nos tornemos mais atentos às diferenças, mais dispostos a escutá-las e a percebê-las: para que se promova um mundo mais justo, mais integrador e mais rico; para que seja possível uma compreensão mais abrangente de nós e dos outros, dos problemas e soluções que os seres humanos encontram; para que sejamos capazes de apreciar de forma mais lúcida e mais crítica as possibilidades, desafios e responsabilidades que nos apresentam. Para que nos possamos desenvolver de forma mais completa, mais humana e mais digna.

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